Olá, raros e caríssimos leitores!

Onde andamos esse tempo todo? Que temos construído? Fugas e mais fugas para nossas aflições?
Expor minha ferida, como se o outro a lambe-la a cura trouxesse. Nem a lambida, nem nada. Apenas expor a ferida. Mas a ferida não é minha, não está em mim. A ferida está em nós. E nós a fizemos, a causamos. Minuciosamente, pequenos alfinetes a rasgar bem de-va-gar a carne dos pés. Ferro raspando lascas nos ossos. Minha ferida porque me dói, sim! Minha ferida que não está em mim. Minha ferida que está em nós. Nossa ferida minha!
"Quando confessou à analista, já adulta, cada palavra mastigada - ou cuspida, é esse o termo - ia abrindo as entranhas, lâmina cortando carne, enterrando-se sexo adentro, até a barriga, dali aos seios, então à garganta, ao rosto e enfim à alma, toda entregue, um ser que se vomita: como se, sem o segredo, sem o silêncio, sem o poder da solidão, ela não fosse mais nada."
- TEZZA, Cristóvão - O Fotógrafo
Meu doer é o que está em nossa ferida. Minha parte em nossa culpa, minha dor. Realmente dói a minha ferida? Reflete a nossa ferida.
Deixemos para lá e dancemos a música? Ao menos espalhamos nosso sangue pelo salão... Abraçados, dancemos as dores que musicamos.
Dancemos!
Maria Joaquina está em sua quinta edição
Boa leitura!
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